O Jovem e o Leite

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A Solenidade do Natal é uma das datas fortes de nossa fé e vivência cristãs. A maior e mais linda “surpresa” que Deus nos fez foi enviar seu próprio Filho, que se fez homem como nós, nascendo da Virgem Maria, a fim de nos salvar do pecado e nos restituir em plenitude a beleza da filiação divina. Jesus veio para nos ensinar a viver com filhos de Deus Pai, irmãos Dele e de todos os seres humanos, continuadores de sua obra da criação e da libertação, animados pelo seu Espírito.

Todo evento importante deve ser bem preparado. É por isso que nossa Igreja nos proporciona diversos meios a fim de que cheguemos, de coração aberto e renovado, a acolher, mais uma vez, o Filho de Deus feito Menino. A participação fiel às Celebrações nos domingos no tempo do Advento; a presença na Novena de Natal nas casas; uma boa confissão com o padre; a reconciliação com quem houve desentendimento; a ajuda a famílias necessitadas; a visita a doentes e a pessoas excluídas etc…, são oportunidades excelentes para vivermos o Natal Cristão, pois há o perigo de reduzirmos esta festa santa a uma festa “pagã”, feita somente de comida, bebida, presentes e viagens, e onde, infelizmente, o verdadeiro “Presente e Aniversariante” é deixado de lado.

Nossa Diocese, por ocasião da Novena de Natal, costuma realizar a “Campanha do Leite” em favor das crianças, cujas mães são soropositivas, e de outras crianças necessitadas. A gente, com muita propriedade, afirma que é “O leite do Menino Jesus”. Este ato de amor, pelo qual agradeço muito aos benfeitores que doam as latinhas ou o valor em espécie, me faz lembrar um conto.


“Um jovem bom queria obedecer sempre a Deus, mas se perguntava se ainda Deus falava às pessoas. Um dia, voltando do trabalho para casa, teve um pensamento meio estranho: ‘Pare e compre um galão de leite!’. O jovem surpreso disse alto: ‘É o Senhor que está me falando?’. Não obteve resposta; porém aquele pensamento continuou: ‘Compre um galão de leite!’. O rapaz pensou: ‘Muito bem, Deus, no caso de ser o Senhor, eu comprarei o leite. Aliás, é sempre útil ter leite em casa’. Parou o carro, adquiriu o leite e continuou o caminho de casa.


Mais adiante, sentiu um novo pedido: ‘Vire na próxima rua!’. Pensou: ‘Mas esta rua não faz parte do meu itinerário’ e passou direto. Mas o pedido se repetia: ‘Vire naquela rua!’. Confuso, obedeceu: retornou e entrou na rua indicada. Foi dirigindo até que, de improviso, sentiu que devia parar. Brecou e olhou ao seu redor. Era uma área mista de comércio e residência. Os estabelecimentos estavam fechados e a maioria das casas estava escura. Só uma casa ainda estava iluminada.


Novamente sentiu algo: ‘Vá e dê o leite às pessoas daquela casa’. ‘Senhor, como posso ir para uma casa estranha no meio da noite? Muito bem, irei, porque quero ser obediente. Contudo, se eles não responderem imediatamente, vou embora daqui’. Tocou a campainha. Ouviu, vindo de dentro, o choro de criança e a voz forte de um homem: ‘Quem está aí? O que você quer?’. Antes que o jovem respondesse, a porta se abriu. Apareceu um senhor: não parecia feliz de ver diante de si um estranho. O rapaz entregou-lhe o galão de leite: ‘Comprei isto para vocês!’. O homem pegou o leite e correu para dentro falando alto; depois voltou acompanhado da esposa que segurava nos braços uma criança que chorava. Meio soluçando aquele senhor falou: ‘Temos muitas contas a pagar e nosso dinheiro acabou. Não pudemos comprar leite para nosso nenê que está com fome. Aí rezamos a Deus que mostrasse uma maneira para conseguirmos o leite. Aí você apareceu como um anjo do Senhor!’. O jovem pegou a carteira e tirou todo o dinheiro que havia nela e colocou na mão do homem que nem teve tempo de dizer: ‘Muito obrigado!’, pois o rapaz já se mandara para o carro. E enquanto retomava o caminho para sua casa, balançando a cabeça, repetia a si mesmo: ‘Realmente Deus continua falando e escutando a gente!’.”

A festa de Natal recorda o evento mais prodigioso da História, realizado dois mil anos atrás (“E o Filho de Deus se fez homem e veio habitar entre nós e nós vimos sua glória” Jo 1, 14). Anualmente, a Liturgia quer tornar vivo e real este imenso mistério de amor. Por isso, no Advento, cantamos insistentemente: “Vem, Senhor, vem nos salvar!”. É este o sentido maravilhoso e verdadeiro das festas natalinas: a presença contínua de Jesus no meio da humanidade. E veio pra quê? O idoso Zacarias, pai de João Batista, profetizou: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo” (Lc 1,68). E hoje, nós repetimos suplicantes: “Vem, Senhor, o mundo ainda precisa de Você: Caminho, Verdade e Vida!”.


Desejando a todos um Santo Natal e um Abençoando Ano Novo, desde já os convido a participar da Abertura da Campanha da Fraternidade 2018 sobre: “Fraternidade e Superação da Violência”. Acontecerá no Rio de Janeiro, reunindo todas as Dioceses do Estado e a Administração Apostólica, no dia 17 de fevereiro.


Bem unidos com Jesus poderemos colaborar para uma Sociedade com mais paz e justiça!

Abraço fraterno com as bênçãos de Deus!

Dom Luciano Bergamin, CRL

Bispo Diocesano

Fonte: Mitra Diocesana Nova Iguaçu

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